Minha intenção nunca foi ser pontual, disciplinada ou ordeira. Escrevo por prazer. Já escrevi por dor, mas só escrevo quando tenho um grito no fundo da alma. E hoje meu coração tem vontade de dizer que gostaria sim de ser pontual, disciplinada e ordeira. Principalmente para escrever, para fazer disso meu hábito, minha rotina, meu dia e minha noite. Mas umas palavras impedem a outra. Sou contraditória, incerta. Devaneio quando preciso ser clara. Subjetiva quando quero ser séria e intransigente quando quero liberdade. Eu que prezo tanto pela liberdade de expressão, calo diante do limite. Paro diante da fonte. Fico sem palavras para lutar pelo que quero. Falta de surra, talvez, mas já apanhei bastante da vida. Escrever requer tempo vivido, mas enquanto escrevemos não vivemos, revivemos ou reviveríamos. Enquanto espero nem escrevo nem vivo. Imagino como seria se estivesse vivendo ou se estivesse vivido. Escrever é tão passional. Sinto falta da escuridão das noites eternas que vivi, sonhei e escrevi, revivi. Em tantas partes por onde andei, já dancei muito, beijei. Mas também fico muito tempo sentada a esperar. Esperar vir a inspiração pra escrever, pra reviver. Ah, escrever! Como posso escrever! Posso escrever, es crê ver. Re "vir" ver. Voltar e ver novamente de outro ângulo. De outro ponto de vista. E sentir tudo o que posso sentir ou talvez ter sentido, porque hoje revejo de outro modo. Faço de conta que deixei quieto. Mas a cada passo, passo a pensar mais, pensar no porque imaginei de outro modo quando vivi. Pensar que tudo o que sinto faz parte dos meus pensamentos. Solidão é alma falando, televisão é o cão. Música sim é o som. Devanei novamente, saudades de meus devaneios. Ressaca sombria da dúvida quente. Mar de amor que corrompe o homem. Tentando buscar o que foi, explicando pro outro o que foi, como foi, cada hora de um jeito, cada jeito com uma fábula, cada história sem fim, pois todas que ouço saem de mim e catalizam ventos, sujeitos a mudanças a cada esquina, transitando límpido no céu azul, carregando nuvens que choram de emoção ao derramar lágrimas para limpar o chão.

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