Pode parecer clichê, mas a arte de interpretar está na minha vida há muito tempo e por influência de meus pais. E uma grande vontade minha. Minhas as primeiras interpretações de que me recordo são as que fazia do Patinho Feio quando ouvia sua história. Talvez a já me sentisse uma estranha no ninho. Não sei se já sabia ler, mas lembro de minha mãe me vestir de palhaça e me levar junto com minhas primas para fazermos palhaçadas para outras crianças em uma creche. Fui me especializando e meu pai me fazia decorar textos de Chico Buarque: "Você no Recife Sebastião, você é louco!" Meus pais me insentivavam a decorar poesias, como a de Casimiro de Abreu, quando tinha 8 anos e sempre declamavam Vinícios, Bilac, Castro Alves, Neruda, J.G de Araújo Jorge, etc...Minha infãncia foi muito rica literária e emocionalmente. Mas foi quando na sexta série que se tornou meu objetivo. Ivone Garcia, minha professora de Língua Portuguesa, que eu adorava, fazia nossa turma decorar poesias e declamar para toda a classe, era parte da avaliação. Eu gostava muito dessa parte. Isso foi em 1995, em 1997 eu ia toda semana para Santo Antonio da Platina para estudar Teatro Amador, minha professora agora era Luzia Pereira, que já lecionava havia muitos anos e por uma incrível coincidência tinha sido professora da Faculdade de minha professora Ivone. Descobri isso no dia da minha formatura no curso de Teatro Amador quando elas se reencontraram. Assim que nos formamos nossa Trupe foi convidada para o Festival de Teatro de Itaipulândia, no Oeste do Paraná. Fomos com uma peça sobre a Natureza eu fazia o papel da TERRA. Ganhamos o troféu de melhor figurino. Depois acabou, fiquei sem fazer mais nada de teatro, em Joaquim Távora não há muito espaço, nem grupos teatrais onde eu pudesse estudar e para ir para as cidades vizinhas era muito difícil naquela época. Fui fazer letras, já que não atuava, precisava ficar perto de textos de alguma forma. Quando fiz pós - graduação fiz a monografia sobre Teatro, analisei as personagens sobre os aspectos sagrados e profanos de Lídia e Geni de Nelson Rodrigues. Mas só em 2008, quando me mudei pra Curitiba, foi que casei definitivamente com a arte de interpretar. Assim que me mudei comecei a dar aulas de Português durante as semanas e a fazer um curso no Teatro Cultura nos finais de semana. Aprendi muito, mas queria mais, sabia que só os finais de semana era pouco pra quem gostava tanto. Fizemos a peça de Pessoas para Pessoa, sob a direção de Tony Lucas, mais poesia na minha vida...adorei fazer a peça, mas ainda me sentia, como me sinto, pouco experiente técnicamente.
Descobri então o curso para Atores do Colégio Estadual do Paraná. Ali descobri o verdadeiro Teatro, as aulas eram todos os dias durante um ano e meio. Absorvi muito a respeito da história e da técnica com excelentes professores, entre eles Jaqueline Valdívia, Silvia Contursi e Diego Duda. Nossa primeira montagem foi Quanto Mais Millôr, sob a direção de Diego Duda. Medeia Plura, sob a direção de Jaqueline Valdívia foi meu maior desafio, e maior texto, e interpretação mais verdadeira. Descobri aqui o que é ser um ator.
Este ano estréio no Festival de Curitiba com a peça ANDRADIANAS estou me sentindo mais preparada, é um personagem tão forte e rico quanto Medeia, textos de Oswald, Mário e Carlos Drummond de Andrade. Minha Carreira está só começando. O Teatro para mim é parte de minha alma, ou minha alma é parte do Teatro, ele me resgata e me salva, me transcende.
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