quinta-feira, 17 de março de 2011

TIMES MEMORIAL


Memórias de Theo Padilha por Lauren Christie
No verão de 1947, na cidade de Caçador, Santa Catarina, nascia Sebastião de Souza. Filho caçula de Dário Theodomiro de Souza e Osvaldina Padilha de Souza. O casal além de Tiãozinho eram filhos Maria e Justino e ainda tinha Maura e Mauro, falecidos tragicamente.  Em 1953 o tio Jorge Theodomiro de Souza, irmão de meu avô Dário, o convidou para trabalhar na Estação Ferroviária de Siqueira Campos onde trabalhava como chefe.
A família se estabeleceu ali por algum tempo. Em seguida foram para Conselheiro Zacarias e depois para a Estação Ferroviária de Guapuruvu, onde Tiãozinho conheceu o amor, ela era mais velha, mais alta, tinha treze anos e ele nove. Os pais resolveram voltar para Conselheiro Zacarias, justo agora, ele estava no terceiro ano, mas já haviam pedido a transferência.
O vagão da mudança chegara ao pátio da pequena estação, então todos seus amiguinhos começaram a ajudar no carregamento, partiriam no outro dia bem cedo. Minha avó, Osvaldina, preparava o café quando chegou em casa uma amiga e pediu para falar com seu filho, ela o acordou depressa para que a pudessem se despedir. Na despedida a menina lhe disse que mesmo sendo mais velha, não podia deixar que ele fosse embora sem saber o quanto o amava e lhe entregou uma carta que foi lendo enquanto o trem partida.
Em 1959 teve que se mudar para Joaquim Távora para fazer seu curso de Admissão ao Ginásio, passou em primeiro lugar, mas reprovou alguns anos. Partiu para o quartel, em Curitiba, sem terminar a oitava série. Logo após a famosa Revolução de Março de 1964, com o AI-5. O clima ainda andava quente, entre civis e militares. Ele servia na 5.a Cia do QG da 5.a RM e 5.a DI. Trabalhava no QG da Carlos Cavalcanti, e prestava serviços de plantão na Praça Rui Barbosa. Ali ficavam ainda a 5.a PE e a 5.a Cia de Manutenção. Neste quartel aconteceram tantas torturas de civis, mas ficou sabendo agora através de livros. Voltou para Joaquim Távora em 1966. Trabalhou nas Casas Santa Terezinha, no Cartório Eleitoral com o Senhor José Araújo, passou no vestibular da Faculdade de Direito de Jacarezinho e em seguida começou a dar aulas no Colégio Miguel Dias.
Conheceu minha mãe Marilze em 1972, perdeu a faculdade de Direito e se mudou para São Paulo em 1973. Casaram-se em 1974, mesmo ano que nasceu minha irmã Julie. O casal volta pra Joaquim Távora em 1978. Eu entro nessa história aqui, em 1981. Época em que trabalhou na Brahma morou um tempo em Santo Antonio da Platina e se separa da minha mãe em 1985 e entra novamente para a faculdade, agora de Letras. Começa a viver com uma mulher que já tinha filhos e netos e leva as filhas para Jacarezinho para passar com ele os fins de semana.
Sua mãe morre em 1986, seu irmão Justino em 87 e ele volta para o seu lar e para mãe de suas filhas. A família vivia feliz, apesar de alguns problemas de Tião com o álcool. Trabalhou muito, até como dono de carro de cachorro-quente para que se estabilizasse como professor de Língua Portuguesa. Trabalho por muitos anos em muitas cidades diferentes, São José da Boa Vista, Santana do Itararé, Joaquim Távora, Guaraqueçaba, Matinhos e Joaquim Távora novamente onde atualmente trabalha na Biblioteca do Colégio Miguel Dias. Com o pseudônimo Theo Padilha tem seus textos publicados em coletâneas e no site Recanto das Letras, onde tem 7.040 leituras feitas em seus 150 textos.
Hoje aos 64 anos ele ainda carrega a alegria de ser casado com uma fantástica mulher a mais de 36 anos e de ter visto suas filhas crescerem e seguirem seus passos. Julie, a mais velha é advogada, apaixonada pela justiça e pela concretização dela, tanto quanto o pai e Lauren, essa que voz escreve também tão apaixonada quanto o pai pelas letras, pela poesia, pela melodia das palavras e o poder delas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário